“PROCLAMAÇÃO DO CONSELHO PRESIDENCIAL EXTRAORDINÁRIO
Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América (ALBA)
No domingo, 28 de junho pela madrugada, quando o povo hondurenho se dispunha a exercer sua vontade democrática através de uma pesquisa com caráter de consulta promovida pelo Presidente da República, Manuel Zelaya Rosales, para aprofundar a democracia participativa, um grupo de uniformados com capuzes, que afirmou receber ordens do Alto Mando das Forças Armadas, assaltou a residência do Presidente Zelaya para sequestrá-lo, desaparecer com ele por umas horas e expulsá-lo violentamente de sua Pátria.
Imediatamente, o povo de Honduras reagiu como digno herdeiro do legado de Francisco Morazán, nas ruas das distintas cidades e povoados de Honduras. Nas primeiras horas da manhã, centenas de mesas eleitorais receberam milhares de mulheres e homens que vieram exercer seu direito ao voto e ao ser informados sobre o sequestro de seu Presidente, foram para as ruas para protestar contra o golpe de Estado, dando um exemplo de heroísmo ao enfrentar desarmados os fuzis e os tanques.
Através das telas de Telesul, foi rompido em âmbito nacional e internacional o silêncio que a ditadura quis impor ao fechar o canal do Estado e cortar o fornecimento de energia elétrica, buscando esconder e justificar o golpe de Estado diante de seu povo e da comunidade internacional e demonstrando uma atitude que recorda a pior época de ditaduras que se viveu no século XX em nosso continente.
Como uma só voz, os governos e povos do continente reagimos condenando o golpe de Estado, deixando claro que em Honduras existe somente um Presidente e um só Governo: o do Presidente Manuel Zelaya Rosales. Da mesma forma, saudamos as declarações de condenação que, desde muito cedo, começaram a emitir outros governos do mundo.
Diante da urgência da situação, os governos da Aliança Bolivariana para os povos de Nossa América (ALBA), convocamos de maneira imediata um Conselho Presidencial de caráter extraordinário, com o objetivo de açodar ações contundentes para derrotar o golpe de Estado em Honduras, apoiar o heróico povo de Morazán e restabelecer incondicionalmente o Presidente Manuel Zelaya Rosales em suas funções legítimas.
Após analisar as circunstâncias em que foi produzido este golpe de Estado, diante da gravidade das violações ao Direito Internacional, os convênios multilaterais e os acordos de nossos países com a República de Honduras, e em vista do profundo rechaço manifestado pela comunidade internacional diante do governo ditatorial que pretende se impor, os países membros da Alba decidimos retirar nossos Embaixadores e deixar sua mínima expressão, nossa representação diplomática em Tegucigalpa, até que o governo legítimo do Presidente Manuel Zelaya Rosales seja restituído em suas funções.
Da mesma maneira reconhecemos como únicos representantes diplomáticos de Honduras em nossos países ao pessoal designado pelo Presidente Zelaya, sob nenhum conceito acreditaremos pessoal designado pelos usurpadores.
Igualmente, como membros plenos dos distintos sistemas de integração do continente, instamos a nossos países irmãos da Unasul (União das Nações Sulamericanas), SICA (Sistema da Integração Centroamericana), CARICOM (Comunidade do Caribe), Grupo do Rio, ONU e OEA a proceder de igual forma ante os agressores do povo hondurenho.
Por outro lado, acordamos declarar-nos em alerta permanente para acompanhar o valente povo de Honduras nas ações de luta que convocaram e invocamos o conteúdo dos artigos 2 e 3 da Constituição Política da República de Honduras:
"Art. 2: A Soberania corresponde ao Povo, do qual emanam todos os Poderes do Estado que são exercidos por representação. A Soberania do Povo poderá também ser exercida de maneira direta, através do Plebiscito e do Referendo. A suplantação da Soberania Popular e a usurpação dos poderes constituídos se tipificam como delitos de Traição à Pátria. A responsabilidade nesses casos é imprescritível e poderá ser deduzida de ofício ou à petição de qualquer cidadão"
"Art. 3: Ninguém deve obediência a um governo usurpador, nem a quem assuma funções ou empregos públicos pela força das armas ou usando meios ou procedimentos que quebrantem ou desconheçam o que Esta Constituição e as leis estabelecem. Os atos verificados por tais autoridades são nulos. O povo tem direito a recorrer à insurreição em defesa da ordem constitucional".
Assim como os princípios do Direito Internacional para respaldar os atos de resistência e rebelião do povo diante das tentativas de dominação. Aos professores, operários, mulheres, jovens, camponeses, indígenas, empresários honestos, intelectuais e demais atores da sociedade hondurenha, asseguramos-lhes que juntos conquistaremos a grande vitória frente aos golpistas que pretendem impor-se ao bravo povo de Francisco Morazán.
Invocando o espírito e o pensamento de Francisco Morazán, junto a ele sentenciamos os golpistas ao proclamar: "Homens que haveis abusado dos direitos do povo por um sórdido e mesquinho interesse! Com vós falo, inimigos da independência e da liberdade. Se vossos feitos, para procura-nos uma pátria, podem sofrer um paralelo com os daqueles centroamericanos que perseguis ou haveis expatriado, eu a seu nome os provoco a apresentá-los. Esse mesmo povo que haveis humilhado, insultado, envilecido e traído tantas vezes que os torna hoje os árbitros de seus destinos e nos proscreve por vossos conselhos, esse povo será vosso juiz".
Devem saber os que dirigem o golpe de Estado que lhes será impossível impor-se e burlar a justiça internacional, a qual, cedo ou tarde, serão submetidos. Aos oficiais e soldados das Forças Armadas de Honduras, fazemos um chamado a que retifiquem e coloquem suas armas a serviço do povo de Honduras e de seu Comandante Geral, o Presidente José Manuel Zelaya Rosales.
Os países membros da Alba, em consulta com os governos do continente e com diversas instâncias que garantem o cumprimento do Direito Internacional, estamos adiantando medidas para que as graves violações e os crimes que estão sendo cometidos não fiquem impunes.
O único caminho que resta aos golpistas é depor sua atitude e garantir de maneira imediata, segura e incondicional, o retorno do Presidente José Manuel Zelaya Rosales a suas funções constitucionais.
A República de Honduras é membro pleno da Alba, da mesma forma que é membro de outras instâncias de integração regional e de organismos multilaterais cuja membresia exige o respeito à soberania do povo e à Constituição. Ao ter sido violentados pelos golpistas estes condicionantes fundamentais, os governos da Alba decidimos manter todos os programas der cooperação que adiantamos com Honduras através do Presidente Zelaya.
Também nos propomos que sejam aplicadas sanções exemplares em todos os mecanismos e instâncias multilaterais e de integração que contribuam para tornar efetiva a restituição imediata da ordem constitucional em Honduras e outorguem vigência ao princípio de ação que nos legaras José Martí quando disse: "Cada um cumpra seu dever, e nada poderá vencer-nos".
Os governos da Alba nos declaramos em sessão permanente de consulta, com todos os governos do continente para avaliar outras ações conjuntas que permitam acompanhar o povo hondurenho no restabelecimento da legalidade e na restituição do Presidente Manuel Zelaya Rosales.
A duzentos anos da gesta histórica que nossos povos desenvolveram em todo nosso continente, seguindo o exemplo eterno do General de Homens Livres Augusto César Sandino, de Franscico Morazán e fieis à palavra do Libertador Simón Bolívar, abrigamos junto ao povo de Honduras e aos povos do mundo a segurança da vitória, pois "todos os povos do mundo que lutaram pela liberdade exterminaram seus tiranos".
Managua 29 de Junho de 2009
Conselho Presidencial da Aliança Bolivariana para os Povos de Nossa América”
Tradução: Adital
Proclamação do Conselho de Presidentes da Alba
Enviada por: Nogueira Jr. / 02:16 0 comentários
MSM representará ao MPF contra Folha de São Paulo
Eduardo Guimarães, Cidadania.com
“O jornal Folha de São Paulo deste domingo traz manchete de primeira página que ressuscita o caso da ficha policial da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, publicada pelo jornal em 5 de abril deste ano também em sua primeira página. A ficha acusava a ministra de vários crimes supostamente cometidos durante a ditadura militar, e a reportagem a acusou de ter tramado com seus companheiros de resistência o seqüestro do então ministro Delfim Neto.
O título da matéria é “Laudos pagos por Dilma dizem que ficha é fabricada”. Os laudos foram produzido pelos professores do Instituto de Computação da Unicamp (Universidade de Campinas) Siome Klein Goldenstein e Anderson Rocha, e pelo perito Antonio Nuno de Castro Santa Rosa, da Finatec (Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos), ligada à UnB (Universidade de Brasília).
Segundo a Folha, as conclusões dos laudos sobre a ficha de Dilma dizem que “foi digitalmente fabricada”, que “A foto foi recortada e colada de uma outra fonte”, que o texto foi posteriormente adicionado digitalmente” e que “É improvável que qualquer objeto tenha sido escaneado no Arquivo Público de São Paulo antes das manipulações digitais".
Os laudos deveriam ser suficientes para ao menos pôr fim a especulações contra Dilma, que desmentiu peremptoriamente a participação em qualquer plano para seqüestrar Delfim Neto ou em qualquer outro ato de violência. A ministra já fora muito prejudicada pela Folha por ela ter dado crédito a um documento apócrifo enviado por e-mail sem ao menos submetê-lo a qualquer laudo pericial que indicasse sua autenticidade.
Contudo, a Folha opta por dar sobrevida àquela falsificação grosseira afirmando, no final da matéria, que “Tem procurado checar a autenticidade da ficha” e que “Foram contatados [por ela] três peritos de larga experiência na análise de documentos e um especialista em imagens digitais” e “Todos disseram que teriam dificuldades em emitir um laudo, pois necessitavam do original da ficha, que nunca esteve em poder da reportagem” .
Os tais peritos que a Folha “contatou” e que não diz quem são também teriam afirmado que “a análise de uma imagem contida num e-mail não seria suficiente para identificar uma eventual fraude”, apesar de o jornal ter achado que o material que recebera de fonte incerta era suficiente para acusar uma autoridade de Estado em sua primeira página.
Injustiça que ameaça a todos
Há uma frase que ouvi de um professor na adolescência que me marcou para o resto da vida. É de autoria de Charles-Louis de Secondat, o barão de Montesquieu, político, filósofo e escritor francês autor da Teoria da Separação dos Poderes de Estado. A frase em questão, é a seguinte:
“A injustiça que se faz a um é uma ameaça que se faz a todos”.
Foi esse o pensamento que nos anos seguintes faria com que eu construísse crença que persiste até hoje em meu ideário de vida, a crença de que quando permitimos que injustiças prosperem estamos nos expondo a ameaça de amanhã virmos a ser os próximos injustiçados.
Se uma ministra de Estado pode ser vítima de uma armação dessa natureza, se o jornal mais vendido do país (inclusive em bancas de jornal e através de assinaturas) recebe um e-mail de fonte duvidosa contendo acusações graves a uma ministra de Estado e simplesmente o estampa em sua primeira página, o que essa gente pode fazer contra um cidadão comum?
Todos os brasileiros estão ameaçados por essa prática irresponsável e criminosa e pela omissão daquele jornal de investigar e denunciar os autores de um documento falso que circulava pela internet em correntes de e-mail e blogs de extrema direita.
Esse crime foi agravado pela reportagem de hoje da Folha que volta a coonestá-lo ao dizer não ser possível comprovar que a ficha é uma fraude, quando o que deveria pautar a publicação de um material daquela natureza seria primeiro a comprovação de sua veracidade.
O silêncio dos bons...
Outra frase célebre permeia minha visão de mundo. É de Mahatma Gandhi e diz o seguinte:
"Se ages contra a justiça e eu te deixo agir, então a injustiça é minha".
É por essa razão que, nesta segunda-feira, proporei ao setor jurídico da ONG Movimento dos Sem Mídia, a qual presido, que nossa organização volte a representar ao Ministério Público Federal contra um meio de comunicação. Desta vez, será pedindo para que investigue esse caso nebuloso.
A base da ação será a de que é crime a falsificação de documento público, e a ficha falsificada que a Folha publicou é um documento público.
O MSM quer saber várias coisas e pedirá ao MPF que descubra. Por exemplo:
1 - Quem forjou a ficha policial de Dilma e por que o jornal a publicou sem verificar sua autenticidade?
2 – Quem enviou a ficha ao jornal?
3 – Por que, até hoje, a Folha não denunciou o autor da falsificação contra uma autoridade de Estado?
4 - Quem são os peritos que a Folha diz terem afirmado que não é possível comprovar que a ficha é fraudulenta.
5 – Por que a Folha publicou a acusação a Dilma em sua primeira página em 5 de abril deste ano e a retratação só foi publicada, com ressalvas, nas páginas internas do jornal vinte longos dias depois?
6 – A Folha mantém alguma relação com os falsificadores da ficha falsa contra Dilma?
7 – Entre os blogs e correntes de e-mail que vinham espalhando a ficha contra Dilma na internet não estarão os autores da falsificação?
Segundo parecer prévio que recebi na sexta-feira retrasada de Antonio Donizeti, diretor jurídico do Movimento dos Sem Mídia, há fundamentação mais do que suficiente para a representação que, como presidente da ONG, decidi fazer ao Ministério Público Federal para que as perguntas supra mencionadas sejam respondidas.”
MSM
Enviada por: Nogueira Jr. / 21:53 0 comentários
Manifesto à Nação em defesa da Petrobras
“Um dos mais expressivos patrimônios do povo brasileiro está ameaçado. A Petrobras é uma empresa símbolo da competência e do sucesso do país, contudo esta sendo alvo de denuncismo irresponsável. Está em jogo a soberania e o direito do povo brasileiro de compartilhar da riqueza encontrada em seu subsolo, já que a exploração do pré-sal é um dos pilares do modelo de distribuição de renda para as próximas gerações brasileiras.
A criação de uma CPI, como instrumento legislativo democrático, não pode ser utilizada como palco para geração de factóides midiáticos e manipulação grosseira da opinião pública. A atuação da frente parlamentar liderada pelos senadores revela ausência de compromisso com o esforço para superação da crise internacional.
Mais do que isso, materializa o desrespeito implícito às instituições que tem a atribuição constitucional de auditar e controlar, como o TCU e a CGU. Fica claro que a intenção não é investigar ou apurar os fatos, mas patrocinar seções exibicionistas transmitidas pela TV, transformando mais uma vez os espaços legislativos em espetáculos midiáticos.
A Petrobras é uma empresa parceira do movimento pela igualdade racial. Vem colaborando para a consolidação da política de superação das históricas injustiças a que a população negra do país está submetida. Por meio do apoio a iniciativas de geração de renda, ações afirmativas, reconhecimento e valorização da cultura afro-brasileira, a empresa vem contribuindo para o enfrentamento do preconceito racial. Preconceito este que, lamentavelmente, está presente em nosso país e implica a exclusão da população negra das universidades, da educação básica, do mercado de trabalho e dos postos de poder, perpetuando um ciclo de desigualdade e miséria.
O momento é de convocatória aos movimentos sociais. As organizações negras se agigantam para protestar e defender uma das maiores conquistas do povo brasileiro. Convidamos as entidades da sociedade civil para fazerem coro neste manifesto em defesa da Petrobras. Repudiamos essa nova tentativa de atingir a imagem da maior empresa do país, parceira de nossas lutas e conquistas. Estamos comprometidos no mais ferrenho engajamento em sua defesa.
O pré-sal é nosso! O petróleo é nosso. E a Petrobras é do povo brasileiro!”
Assinam este manifesto:
Bloco Cultural Bloco Carnavalesco Ilê Aiyê
CEAP
CEN
CEPIR-MT
CONEN
Delegagação de Mato Grosso
FEUCMAT-MT
Incubadora Afro Brasileira
Instituto de Mulheres Negras – MT
Instituto Ébano Brasil – MT
INTECAB-MT
Movimento Inteligência Negra – MT
Unegro
União de Moradia Popular – UNMP
Olodun
Enviada por: Nogueira Jr. / 23:42 0 comentários
Carta aberta da ABGLT ao Faustão
“Fausto Silva,
Tomo a liberdade de me dirigir publicamente a você, infelizmente ao que parece meus e-mails anteriores não chegaram até você.
Sou paranaense, professor, tenho 45 anos e vivo há 19 anos com o meu companheiro David. Ano que vem completamos nossas bodas de porcelana.
Geralmente assisto a seu programa, principalmente às vídeos cacetadas. Te admiro pela inserção no seu programa de matérias e quadros de cunho social e principalmente pelo seu bom humor. Enfim, Faustão você é gente boa. Sabemos por sentir isso e por declarações de muita gente que fala de você como alguém muito generoso com todos.
Seu programa é muito assistido e admirado por milhões de brasileiros e de brasileiras. Você é referência nacional,como apresentador.
Com certeza suas opiniões influenciam no comportamento dos seus(as) telespectadores(as).
Dirijo-me a você Faustão de uma forma, amistosa e gentil para falar do meu descontentamento sobre a forma como você aborda a homossexualidade no Domingão do Faustão. Esse é nosso papel na luta pela inclusão social e respeito à nossa forma de ser.
Veja uns exemplos:
10/05/2009 – você referiu um "suposto" homossexual pelo termo GAZELA
17/05/2009 – você refere-se a um "suposto" homossexual pelo termo BOIOLA
17/06/2009 - diz que um “suposto" homossexual MORDE A FRONHA
17/06/2009 - No programa leva ao ar o comentário do participante Leandro Hassun : ISTO É UMA BICHONA!
2009 - refere-se ao suposto homossexual pelo termo LIBÉLULA
2009 – ao ver dois homens se cumprimentando, diz: ISTO É COISA DE BOIOLA!
Estes são alguns poucos exemplos durante os quais a platéia ri de uma situação que é muito triste no Brasil e no mundo: a Homofobia.
Fausto Silva, você sabia que em sete países há pena de morte para os homossexuais e 80 países criminalizam os atos homossexuais? Que no Irã gays são enforcados em praça pública?
Que na pesquisa da Unesco publicada em 2004 consta que 40% dos adolescentes não gostariam de estudar com um gay, uma lésbica ou uma pessoa trans? Que se utilizam dos mesmos adjetivos listados acima para nos designar? Inclusive eu mesmo já fui taxado assim na escola nos velhos tempos.
No programa Profissão Repórter do competente Caco Barcelos (exibido no dia 19/05/2009) a reportagem apresentou a triste história de Iago um adolescente de 14 anos que se suicidou porque era discriminado na escola. Infelizmente isso é muito comum.
Faustão, você sabia que na última Parada LGBT (conhecida como parada Gay) de São Paulo 22 pessoas foram feridas com uma bomba que uma pessoa jogou de um prédio, e que numa Rua próxima a Praça da República -no final da parada - um gay de 35 anos apanhou tanto que sofreu traumatismo craniano e morreu?
Fausto Silva, você sabia que a maioria dos pais não gostariam que seus filhos fossem gays, lésbicas, travestis ou transexuais porque temem que seus filhos e filhas sofram violência, discriminação e por serem motivo de piadas de mau gosto e assédio moral?
Aqui em Curitiba, cidade em que vivo, no ultimo mês 6 travestis e um gay foram barbaramente assassinados. E aqui e outras cidades somos perseguidos por grupos de extermínio como skinheads. Nos últimos 20 anos 2992 pessoas LGBT foram barbaramente assassinadas pelo simples fat ode serem LGBT, segundo pesquisa do Grupo Gay da Bahia.
O Código de ética dos jornalistas, (artigo n° 10, item d), a Resolução nº 489 do Conselho Federal de Serviço Social e Resolução nº 001/99 do Conselho Federal de Psicologia, todos determinam que os respectivos profissionais dessas áreas devam respeitar a orientação sexual e a identidade de gênero de todas as pessoas. Lutamos para que sejamos respeitados como cidadãos com direitos e sem medo de viver.
Atualmente são realizadas no Brasil 150 Paradas LGBT, esses eventos têm como objetivo pedir respeito e consideração a nossa condição de cidadãos e cidadãs. Inclusive, o próximo domingo - 28 de Junho - é o Dia Internacional do Orgulho LGBT, e será comemorado em várias cidades no Brasil e no mundo inteiro.
O atual governo federal elaborou o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT, com 180 ações contra a homofobia e a favor do respeito à diversidade humana, fruto de conferências LGBT nas 27 unidades da federação e da 1ª Conferência Nacional LGBT, cuja abertura foi prestigiada pelo presidente da república.
No Congresso Nacional existe uma Frente Parlamentar pela Cidadania LGBT com 250 parlamentares (deputados(as) e senadores(as)) participantes que querem a criminalização da homofobia.
Neste sentido, Faustão, gente boa, gostaria muito que ao se referir a LGBT ou pessoas supostamente LGBT, você se dirigisse com mais respeito, na boa mesmo. Sem ressentimentos.
Piadas e chacotas podem levar adolescentes a cometer suicídio, podem levar pais e mães a expulsarem seus filhos de casas, podem reforçar atitudes violentas contra LGBT.
Faustão é triste e é dolorido ser discriminado. Sei que você nunca quis fomentar a violência, por isso Faustão nos ajude a diminuir a discriminação no Brasil. Não encare isto como censura ou policiamento do politicamente correto.
Afinal, nossa constituição é clara nos seus artigos 3º e 5º quando diz todos são iguais e não haverá discriminação de qualquer natureza.
Vamos construir um Brasil em que caibam todas as cores.
Vamos viver em harmonia como as cores do Arco-íris.
Se a cultura é adquirida, conforme definiu Lévi-Strauss, também pode ser mudada. Nos ajude a mudar essa cultura homofóbica.
Para citar também Nelson Mandela:
Ninguém nasce odiando outra pessoa
pela cor de sua pele,
ou por sua origem, ou sua religião.
Para odiar, as pessoas precisam aprender,
e se elas aprendem a odiar,
podem ser ensinadas a amar,
pois o amor chega mais naturalmente
ao coração humano do que o seu oposto.
A bondade humana é uma chama que pode ser oculta,
jamais extinta.
Por meio desta carta aberta peço que de uma forma cidadã e divertida nos ajude a combater a violência, a discriminação, preconceito e principalmente as mortes contra a comunidade LGBT.
Conto com você e ajude-nos a divulgar a campanha www.naohomofobia.com.br que pede pela aprovação da Lei que criminaliza a Homofobia.
Um abraço,
Toni Reis, professor, Especialista em Sexualidade Humana, Mestre em Filosofia em ética e sexualidade e Doutorando em Educação.
Presidente da ABGLT - Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais.”
Enviada por: Nogueira Jr. / 01:50 0 comentários
A superação da corrupção na política: Salvaguarda da ética e da democracia
Nota: CNBB
“Nós, membros do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - CNBB, reunidos em Brasília, DF, nos dias 16 a 18 de junho de 2009, manifestamos indignação diante das repetidas acusações de corrupção nas instâncias dos Poderes constituídos. A corrupção e a decorrente impunidade constituem grandes ameaças ao sistema democrático.
A corrupção aumenta o fosso das desigualdades sociais, como também a miséria, a fome e a pobreza. Além de ferir gravemente o princípio do destino universal dos bens, raramente se tem notícias sobre a restituição dos recursos e bens públicos usurpados. A corrupção trai a justiça e a ética social, compromete o funcionamento do Estado, decepciona e afasta o povo da participação política, levando-o ao desprezo, perplexidade, cansaço, revolta, e ao descrédito generalizado, não somente pelos políticos, mas também pelas Instituições Públicas.
A imprensa nacional e os órgãos públicos competentes têm divulgado a prática de comprovada corrupção nos meios políticos como um círculo vicioso, um hábito enraizado na inversão dos meios e do fim da "coisa pública". Ao mesmo tempo em que a mídia funciona como caixa de ressonância, denunciando os males presentes na vida política, muitas vezes pode semear na opinião pública a idéia da inutilidade do Congresso, desvalorizando a democracia.
Diversas instâncias da sociedade civil já se manifestaram em favor da reforma política para, entre outros objetivos, sanar os males da corrupção sedimentados na vida pública. A Igreja quer contribuir para o bem comum, lembrando as exigências éticas do Evangelho. A política é um serviço ao bem comum, na construção da sociedade justa, fraterna e solidária. Os políticos sejam pessoas dotadas de virtudes sociais, como competência, retidão, transparência e espírito de serviço, sendo os primeiros responsáveis pela ordem justa na sociedade. A superação da corrupção exige pessoas e partidos com perfil íntegro para o exercício do mandado público.
Convocamos a todos para que, através do Projeto de Lei de Iniciativa Popular sobre a Vida Pregressa dos Candidatos (Projeto Ficha Limpa), da Reforma Política e outras mobilizações, possamos garantir eleições regidas pela ética em 2010, fortalecendo a participação e garantindo a credibilidade dos processos democráticos. Nesse sentido, a Igreja oferece, por meio das escolas de Fé e Política, uma concreta e valiosa contribuição.
Que Nossa Senhora Aparecida, serva de Deus e da humanidade, ajude o povo brasileiro a combater a corrupção, criando condições para uma sociedade justa e plenamente democrática.”
Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana Presidente da CNBB
Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e Secretário-Geral da CNBB
Enviada por: Nogueira Jr. / 02:33 0 comentários
Carta Aberta: professor relata ação violenta da tropa de choque na USP
“Prezados colegas,
Eu nunca utilizei essa lista para outro propósito que não informes sobre o que acontece no CO (transmitindo as pautas antes da reunião e depois enviando relatos). Essa lista esteve desativada desde a última reunião do CO porque o servidor na qual ela estava instalada teve problemas e, com a greve, não podia ser reparado. Dada a urgência dos atuais acontecimentos, consegui resgatar os emails e criar uma lista emergencial em outro servidor. O que os senhores lerão abaixo é um relato em primeira pessoa de um docente que vivenciou os atos de violência que aconteram poucas horas atrás na cidade universitária (e que seguem, no momento em que lhes escrevo – acabo de escutar a explosão de uma bomba). Peço perdão pelo uso desta lista para esse propósito, mas tenho certeza que os senhores perceberão a gravidade do caso.
Hoje, as associações de funcionários, estudantes e professores tinham deliberado por uma manifestação em frente à reitoria. A manifestação, que eu presenciei, foi completamente pacífica. Depois, as organizações de funcionários e estudantes saíram em passeata para o portão 1 para repudiar a presença da polícia do campus. Embora a Adusp não tivesse aderido a essa manifestação, eu, individualmente, a acompanhei para presenciar os fatos que, a essa altura, já se anunciavam. Os estudantes e funcionários chegaram ao portão 1 e ficaram cara a cara com os policiais militares, na altura da avenida Alvarenga. Houve as palavras de ordem usuais dos sindicatos contra a presença da polícia e xingamentos mais ou menos espontâneos por parte dos manifestantes. Estimo cerca de 1200 pessoas nesta manifestação.
Nesta altura, saí da manifestação, porque se iniciava assembléia dos docentes da USP que seria realizada no prédio da História/ Geografia. No decorrer da assembléia, chegaram relatos que a tropa de choque havia agredido os estudantes e funcionários e que se iniciava um tumulto de grandes proporções. A assembléia foi suspensa e saímos para o estacionamento e descemos as escadas que dão para a avenida Luciano Gualberto para ver o que estava acontecendo. Quando chegamos na altura do gramado, havia uma multidão de centenas de pessoas, a maioria estudantes correndo e a tropa de choque avançando e lançando bombas de concusão (falsamente chamadas de “efeito moral” porque soltam estilhaços e machucam bastante) e de gás lacrimogêneo. A multidão subiu
correndo até o prédio da História/ Geografia, onde a assembléia havia sido interrompida e começou a chover bombas no estacionamento e entrada do prédio (mais ou menos em frente à lanchonete e entrada das rampas).
Sentimos um cheiro forte de gás lacrimogêneo e dezenas de nossos colegas começaram a passar mal devido aos efeitos do gás – lembro da professora Graziela, do professor Thomás, do professor Alessandro Soares, do professor Cogiolla, do professor Jorge Machado e da professora Lizete todos com os olhos inchados e vermelhos e tontos pelo efeito do gás. A multidão de cerca de 400 ou 500 pessoas ficou acuada neste edifício cercada pela polícia e 4 helicópteros. O clima era de pânico. Durante cerca de uma hora, pelo menos, se ouviu a explosão de bombas e o cheiro de gás invadia o prédio. Depois de uma tensão que parecia infinita, recebemos notícia que um pequeno grupo havia conseguido conversar com o chefe da tropa e persuadido de recuar. Neste momento, também, os estudantes no meio de um grande tumulto haviam conseguido fazer uma pequena assembléia de umas 200 pessoas (todas as outras dispersas e em pânico) e deliberado descer até o gramado (para fazer uma assembléia mais organizada). Neste momento, recebi notícia que meu colega Thomás Haddad havia descido até a reitoria para pedir bom senso ao chefe da tropa e foi recebido com gás de pimenta e passava muito mal. Ele estava na sede da Adusp se recuperando.
Durante a espera infinita no pátio da História, os relatos de agressões se multiplicavam. Escutei que a diretoria do Sintusp foi presa de maneira completamente arbitrária e vi vários estudantes que tinham sido espancados ou se machucado com as bombas de concusão (inclusive meu colega, professor Jorge Machado).
Escutei relato de pelo menos três professores que tentaram mediar o conflito e foram agredidos. Na sede da Adusp, soube, por meio do relato de uma professora da TO que chegou cedo ao hospital que pelo menos dois
estudantes e um funcionário haviam sido feridos. Dois colegas subiram lá agora há pouco (por volta das 7 e meia) e tiveram a entrada barrada – os seguranças não deixavam ninguém entrar e nenhum funcionário podia dar qualquer informação. Uma outra delegação de professores foi ao 93o DP para ver quantas pessoas haviam sido presas. A informação incompleta que recebo até agora é que dois funcionários do Sintusp foram presos – mas escutei relatos de primeira pessoa de que haveria mais presos.
A situação, agora, é de aparente tranquilidade. Há uma assembléia de professores que se reuniu novamente na História e estou indo para lá. A situação é gravíssima. Hoje me envergonho da nossa universidade ser dirigida por uma reitora que, alertada dos riscos (eu mesmo a alertei em reunião na última sexta-feira), autorizou que essa barbárie acontecesse num campus universitário.
Estou cercado de colegas que estão chocados com a omissão da reitora. Na minha opinião, se a comunidade acadêmica não se mobilizar diante desses fatos gravíssimos, que atentam contra o diálogo, o bom senso e a liberdade de pensamento e ação, não sei mais. Por favor, se acharem necessário, reenviem esse relato a quem julgarem que é conveniente.”
Cordialmente,
Prof. Dr. Pablo Ortellado
Escola de Artes, Ciências e Humanidades
Universidade de São Paulo
Enviada por: Nogueira Jr. / 20:51 0 comentários
À luz do sol
Leandro Fortes
“A criação do Blog da Petrobras é um ponto de inflexão nas relações da mídia com as fontes, embora tenha sido criado em meio a um ambiente de conflito decorrente da malfadada CPI da Petrobras, no Senado Federal. Mais do que uma discussão sobre liberdade de imprensa e o direito de sigilo nas relações entre jornalistas e fontes, a criação do blog suscita uma reflexão muito mais profunda porque, a meu ver, ele será lembrado como marco histórico, no Brasil, do fim do jornalismo diário impresso tal qual o conhecemos e de todas as idiossincrasias induzidas e adquiridas nas redações brasileiras ao longo dos últimos 50 anos. Em outras palavras, a fórceps e sob bombardeio, o Blog da Petrobras decretou o fim de expedientes obsoletos e, muitas vezes, desonestos, de apuração, edição e publicação de matérias jornalísticas. Colocou o jornal de papel e sua superada pretensão informativa na mesma estante de velharias do século XX onde figuram, lado a lado, a televisão a válvula, a geladeira a querosene e o platinado.
Ao tornar visível e, por isso mesmo, vulnerável, a rotina de apuração dos jornalistas, o Blog da Petrobras quebrou um falso pacto de cooperação, denunciado curiosamente de “vazamento de informações sigilosas”, sobre o qual pairava a seguinte regra mínima: eu pergunto, mas eu escolho o que você responde, se você não gostar, mande uma carta à redação, reze para ela ser publicada (na íntegra) ou vá queixar-se ao bispo. Primeiro, não há relação de sigilo em entrevista, muito menos com relação a perguntas feitas por escrito por repórteres. Não sei da onde tiraram isso. Quando o jornalista se dispõe a fazer perguntas por e-mail, não pode esperar outra coisa senão publicidade de um registro capaz de ser compartilhado, em tese, com milhões de pessoas. Se, nesse e-mail, ele passa informações exclusivas da apuração, tem que estar disposto, também, a correr esse risco. Há, no mundo todo, um exército bem pago de assessores de imprensa sendo treinado, diuturnamente, para desmontar pautas jornalísticas, minimizá-las o impacto e, principalmente, fazer um trabalho de contra-inteligência capaz de neutralizar o poder de fogo dos repórteres. E isso não é novidade. A novidade é a internet.
Ao invés de ficar choramingando em editoriais saudosos dos tempos de antanho, os jornais deveriam, finalmente, prestar atenção ao que está acontecendo no mundo, inclusive nas salas de aula desses meninos aos quais se pretende negar o diploma de jornalismo, uma, duas, três, dez gerações à frente. Aliás, tem coisa mais obsoleta, triste e anacrônica do que os editoriais da imprensa brasileira? Aliás, o que é um editorial senão o blog mais antigo e exclusivo do mundo, pelo qual os barões da imprensa sempre expressaram suas opiniões, livres, no entanto, do incômodo das caixas de comentários? O Blog da Petrobras é justamente isso, o anti-editorial, o contraponto imediato, em tempo real, às chamadas “linhas editoriais” dos veículos de comunicação que, no fim das contas, acabam por contaminar o ofício do jornalismo, submetendo jornalistas ao oficialismo privado dos aquários das redações, cada vez mais descolados da nova realidade ditada pela internet, pela blogosfera e do impressionante e muito bem vindo controle social trazido pela interatividade on line.
Foi um editorial da Folha de S.Paulo, aquele da “Ditabranda”, que deixou no cio a serpente que pariu o Blog da Petrobras. Foi a partir daquela analogia infeliz, turbinada por ofensas gratuitas aos que dela discordaram, que a blogosfera passou oficialmente a servir de espaço livre de direito de resposta, na íntegra, dos ofendidos. O rastilho digital daquela polêmica provocou um dano permanente na credibilidade do jornal, obrigado, a seguir, a desencadear uma série de envergonhados expedientes de capitulação. O legado da discussão, no entanto, foi muito maior. Ainda que agregados de maneira informal, os blogs passaram a ser uma rede de “grilos falantes”, para usar uma expressão empregada pelo jornalista Franklin Martins, da mídia nacional, o escape por onde os rejeitados pelas seções de cartas puderam, finalmente, se exprimir livre e integralmente.
As reações “conspirativas”, neologismo cunhado pelo jornalista Luiz Carlos Azenha para unir conspiração com mídia corporativa, ao Blog da Petrobras são, em tudo, emblemáticas. E não têm nada a ver com “vazamento” das perguntas e informações enviadas por e-mail à empresa. Têm a ver com a perda de poder das redações e com a necessidade de se estabelecer outros paradigmas para o jornalismo. Isso inclui o conceito de “furo”, que a vaidade dos jornalistas transformou em coisa mais importante do que o dever de bem informar – de maneira mais ampla e correta possível – a sociedade na qual está inserido. O “furo” é bem vindo, é um diferencial bacana, gera prêmios jornalísticos, aumentos de salário e promoções, mas interessa muito mais a nós, jornalistas, do que ao respeitável público.
O jornalismo brasileiro não carece de exclusividade, mas de honestidade e transparência.”
Blog: Brasília, Eu Vi
Enviada por: Nogueira Jr. / 02:25 0 comentários
*
Artigo,
Blog,
Jornalismo,
Petrobrás











