14 março 2007

Nota

Sr. Diretor,

Em relação à matéria publicada à página A8 da edição de ontem (13/03/07), intitulada "PT é visto como a sigla que tem mais corruptos", gostaríamos de registrar nossa decepção com a parcialidade que marcou o tratamento dos dados recebidos para publicação - um enfoque que mais desinforma que informa seu leitorado.

Vamos aos dados: muito antes que corrupção, associada ao PT por 30%, os traços mais identificáveis pela opinião pública nacional na imagem do PT são a do partido "que mais defende os pobres", apontado como tal pela maioria absoluta (57%), o "que mais defende a justiça social" (citam o PT 42%), "o mais aberto à participação da população" (41%), o "que defende melhor os interesses do Brasil" (39%) e o que "tem mais apoio dos movimentos sociais" (38%) - traços em que nenhuma outra sigla atinge sequer 10% das citações.

O efeito de desinformação é evidente: se a corrupção fosse o traço mais identificável na imagem do PT - e não os acima apontados - como entender que depois de um ano e meio sob denúncias (tantas vezes parciais como a matéria em questão) o PT tenha permanecido como o partido com maior taxa de preferência partidária no país - aferida em 27%, em novembro passado, por si só superior à soma da preferência por todos as demais 31 siglas existentes no país? Como entender a própria reeleição de Lula, uma vez que a identidade PT-Lula é evidente à opinião pública?

Como se vê, a manipulação de uma informação pode não estar no que se divulga - os dados publicados estão corretos - mas naquilo que se omite. A opção injustificável e infeliz da matéria editada abala a relação de confiança que a Fundação Perseu Abramo depositara n"OESP ao entregar ao jornal um estudo amplo sobre a imagem dos partidos no Brasil, certa de que receberiam um tratamento equilibrado, fazendo jus à complexidade dos resultados obtidos na pesquisa e ao respeito que merece a inteligência de seus leitores".

Hamilton Pereira
Presidente da Fundação Perseu Abramo