20 agosto 2007

Nota a Imprensa da Associação dos Delegados da PF, sobre a matéria da Revista Veja

“Matéria de capa da revista Veja desta semana, sob o nome “A sombra do estado policial”, do jornalista Policarpo Júnior, causou, mais que estranheza, verdadeiro espanto e profunda náusea. No país do foro privilegiado, dos recursos mil, das convenientes prescrições absolvitórias, já tem gente comemorando a reportagem como um indicativo inesperado de que contarão com o apoio do STF para a aprovação de medidas restritivas às investigações criminais.

Grampo ilegal é crime. Qualquer cidadão que tiver conhecimento de um caso ocorrido deve denunciá-lo. Se for autoridade pública e não o fizer, arrisca-se a prevaricar. É preciso apontar os fatos, os autores, apresentar as provas, ajudar a combatê-lo, mas não alimentar a boataria com insinuações.

Dada a gravidade das denúncias, seria de se esperar que ao menos dessem nomes aos bois. No meu antigo dicionário Aurélio (1ª edição, 1975, uma preciosidade), banda é grupo, facção, bando; ou seja, algo organizado, visível, identificável. Assim, a tal “banda podre” da PF, que se saiba não é uma banda, são focos que vêm sendo combatidos sistematicamente pela corporação. E focos de podridão não são exclusividade da PF.

O Departamento de Polícia Federal está submetido hierarquicamente ao Ministério da Justiça, ao controle externo do Ministério Público e tem suas ações voltadas ao poder Judiciário. Com autorização da Justiça e sob supervisão do Ministério Público é que são realizadas as escutas telefônicas. Se alguém afirma que a PF coaduna com a prática de escuta ilegal, que é crime, também afirma, em última instância, que o Estado Brasileiro age criminosamente.

Se é o caso, passa no mínimo por contradição que em operações recentes a Polícia Federal não tenha se furtado a apontar ligações com atos ilícitos de autoridades nos mais diversos escalões do Executivo, do Legislativo, do Judiciário e da própria corporação. O DPF não persegue pessoas, investiga crimes.
Se Frei Galvão, nosso único Santo, teve sua vida inteira bisbilhotada justamente para lhe ser certificada essa condição, por que é que alguns homens, ainda que probos e de reputação ilibada, saltam como macaco na queimada só em imaginar – imaginar, mesmo – que estão sendo investigados?

A imensa maioria da população não tem medo de ser grampeada e nem acha que estamos vivendo em um “Estado Policial”. Muito pelo contrário, estão tendo a fé renovada pelo trabalho sistemático da polícia, MP e Judiciário que, finalmente, começou a alcançar searas até ontem inatingíveis. Os violentos focos de resistência, contrários à mudança de paradigmas, normalmente, vêm de onde se espera. Mas algumas vezes vêm de onde deveria se esperar o contrário.”
Sandro Torres Avelar - ADPF

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