07 setembro 2007

Presidente Lula: pronunciamento à nação

“Há 185 anos o Brasil nascia como nação independente. Podemos dizer que, nos dias de hoje, também está nascendo um novo Brasil. Um Brasil que não é resultado apenas do trabalho de um presidente ou de um governo, mas do esforço de todos os brasileiros e brasileiras. Um esforço acumulado de muitos anos e que encontra, agora, seus melhores resultados e sua melhor expressão. É sobre este nascimento, sobre a felicidade e as dores deste parto, que quero refletir com vocês, na véspera do 7 de Setembro.

Passamos, hoje, por uma grande transformação. Mas nem sempre quem participa de um momento histórico percebe toda a sua amplitude. Ao contrário, muitas vezes enxerga com mais facilidade as dificuldades passageiras do que os efeitos mais profundos e permanentes da mudança. O Brasil vive hoje um período de solidez econômica e política. Mais do que isso: vive um amplo movimento de inclusão social, de uma intensidade nunca vista. Mais de 8 milhões de brasileiros saíram da linha de miséria. O crescimento se espalha por todos os setores e por todo o País. A renda aumenta, o emprego cresce, o investimento se amplia, o crédito se multiplica, o consumo aumenta. Nosso País reforça sua presença no mundo e assume a vanguarda em setores estratégicos, como o dos biocombustíveis. Estas são algumas das muitas e muitas conquistas que temos obtido. Por isso, neste 7 de Setembro, quero dizer a todos vocês que há motivos de sobra para ter fé no Brasil.

Mas quero dizer também que há motivos de sobra para não nos acomodarmos; e para cobrarmos mais resultados de todos os setores da vida nacional. Sou, hoje, o brasileiro mais satisfeito e o mais insatisfeito deste País. Sou o mais satisfeito porque estou tendo a honra de liderar um processo muito especial de transformação do nosso querido Brasil. E sou o mais insatisfeito porque estou convencido de que podemos andar ainda mais rápido e melhor. Estou satisfeito porque o governo tem bons projetos para promover o avanço social, o avanço econômico e o avanço tecnológico. E faz isso com um respeito, cada vez mais rigoroso, com o meio ambiente, como mostra a redução em 44% do ritmo de desmatamento na Amazônia. Estou satisfeito porque temos novos programas modernos e abrangentes como o PDE, na educação; como o Pronasci, na área da segurança; como o PAC nas áreas do incentivo à produção, ao crescimento e à ampliação da infra-estrutura; e estamos elaborando, agora, importantes medidas para amenizar problemas na área da saúde. Isso vai significar, entre outras coisas, R$ 504 bilhões em infra-estrutura logística e social, trazendo uma revolução em matéria de estradas, portos, aeroportos, transportes, energia, habitação, saneamento básico e água potável. Vamos ter mais R$ 10 bilhões na educação, ampliando as mudanças que já estão sendo feitas, como a criação de 214 escolas técnicas, 10 novas universidades federais e 48 novas extensões universitárias no interior.

Tudo isto me deixa muito satisfeito. Mas estou insatisfeito porque ainda há uma forte dívida social a resgatar com os mais pobres. A classe média ainda enfrenta dificuldades e há melhorias profundas a serem feitas no serviço público e atitudes modernizadoras a serem adotadas no setor produtivo. Precisamos diminuir, como estamos fazendo, as desigualdades entre as pessoas e as regiões; derrubar barreiras à produção e ao crescimento; e ter a coragem para avançar, ainda mais, no terreno da ética e do combate à impunidade, em qualquer estrato econômico, social ou político. Esta coragem e este esforço nosso governo vem tendo. E estamos colhendo os frutos doces e amargos desta semeadura.

Minhas amigas e meus amigos, vivemos um ciclo de desenvolvimento vigoroso e sustentado. Sustentado economicamente, porque a inflação está sob controle, a situação fiscal equilibrada e as contas externas vivem um momento espetacular. Isso significa mais emprego e mais comida na mesa. Em apenas sete meses deste ano criamos 1 milhão e 200 mil empregos com carteira assinada. Um número maior do que em todo o ano passado. A miséria está diminuindo: nos últimos anos, 7 milhões de brasileiros entraram na classe média. O PIB cresce há 21 trimestres consecutivos, o consumo das famílias há 14 trimestres consecutivos e o comércio varejista atingiu, no primeiro semestre, o seu recorde histórico de crescimento. Precisamos e vamos crescer ainda mais. Mas isso não significa que possamos baixar a guarda na luta contra a inflação. Ao contrário, é tempo de vigilância e alerta permanente. Só assim teremos força - como estamos tendo - para enfrentar os abalos externos e os problemas internos.

Estamos igualmente vivendo um ciclo socialmente sustentado, porque ao contrário de outras épocas, agora não há arrocho salarial e exclusão social. O poder de compra do salário mínimo dobrou. Noventa e sete por cento das negociações coletivas estão ocorrendo com ganhos salariais iguais ou superiores à inflação. Mas isso não significa que possamos nos descuidar dos mais pobres e do aperfeiçoamento e ampliação de nossas políticas sociais, consideradas, com muita razão, das melhores do mundo.

Estamos vivendo, igualmente, um ciclo politicamente sustentado. O País desfruta de um regime democrático pleno, as instituições funcionam, os movimentos sociais participam das decisões, a imprensa é livre e os direitos individuais são respeitados e garantidos. Mas isso não significa que possamos trocar o diálogo pela aspereza política; que as maiorias não respeitem as minorias; e que os poderes não busquem uma convivência ainda mais harmônica e democrática.

Minhas amigas e meus amigos, estamos lutando por um Brasil sem pobreza, sem privilégios, sem discriminações e sem divisões. Um país de oportunidades iguais para todos. A melhor forma para um país crescer é fazer com que cada vez mais gente saia da pobreza, ingresse no mercado e conquiste a cidadania. E criar, ao mesmo tempo, instrumentos para que a classe média se fortaleça e se realize. Nenhum país do mundo pode crescer sem estimular, fortemente, o espírito empreendedor da classe média. Mas devemos também entender que quanto menor for o número de pobres e maior o mercado de massa, melhor será este País. Haverá mais emprego, segurança, riqueza, poder de consumo e paz social para todos. Repito: para todos. O novo Brasil que está nascendo das mãos dos brasileiros não é um Brasil para poucos, mas para muitos. Não é só para os que apóiam o governo, mas para todos que apóiam a nação. Não é só para as gerações de hoje, mas também para as gerações de amanhã. Um Brasil que respeita o ser humano, respeita a natureza, respeita os valores morais e respeita a grandeza de Deus. Tenho fé no Brasil. Viva o 7 de Setembro!”

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