06 junho 2008

Crise no PSDB (Rio Grande do sul): a carta de Lair Fest

"Senhora Governadora:

Tenho a algum tempo tentando agendar uma conversa pessoal com a senhora, mas acredito que em função do acúmulo de compromissos de agenda tem inviabilizado tal encontro, por isso tomei a liberdade de lhe escrever. Esta oportunidade é muito importante para que eu possa esclarecer uma série de assuntos que tem sido levado a seu conhecimento e a várias outras pessoas do Governo, informações totalmente distorcidos por pessoas interessadas em me denegrir e com isso facilitar ações e interesses muitos deles nem sempre republicanos.

Tenho sofrido nos últimos meses com uma série de situações constrangedoras devido a uma campanha difamatória que foi deflagrada contra minha pessoa. Acredito que não posso me calar. Pensei muito antes de tomar qualquer atitude, porém, a situação está se tornando insustentável e tem prejudicado as pessoas que convivem e trabalham comigo. Pensando em tudo isso resolvi fazer um relato de alguns fatos que considero importante que a Senhora saiba, pois como não tive a oportunidade de conversar pessoalmente não sei a versão dos fatos que chegaram ao seu conhecimento e acredito que há situações graves que não são de seu conhecimento.

Por ocasião da campanha eleitoral travamos um embate eleitoral muito forte que contrariou interesses dos principais partidos e por eu estar entre aqueles que tiveram alguma visibilidade passei a ser alvo de pessoas corruptas que passaram a ver em mim uma pessoa bem informada e sabedor de quantos negócios operados por eles poderiam ruir no seu Governo. Formou-se então um grupo que tem se dedicado a me difamar.

A estratégia desse grupo foi iniciar com um processo de espalhar entre secretários, autoridades e assessores ligados ao governo, usando pessoas que apresentam grande credibilidade, calúnias, como por exemplo: "O fulano está sendo investigado pela Polícia Federal, pelo Ministério Público e etc.. e mais, cada escândalos que tem vindo à tona são sempre vinculados a mim, como o caso da PORTOCRED; tudo isso de forma orquestrada, com o único objetivo de me desgastar.

Este grupo é liderado pelo ex- professor da Universidade Federal de Santa Maria José Antonio Fernandes e dos seus sócios Barrionuevo e do Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado Sr. João LUiz Vargas. Conta também com uma série de colunistas de vários jornais que tem remuneração paga pelo Sr. José Fernandes para plantar notícias de seu interesse particular. Usam diversas pessoas para servir aos seus propósitos escusos sem aparecer e ficar impune e livre de qualquer acusação.

Para melhor identificar o Sr. José Antonio Fernandes é a pessoa ligada ao PDT de Santa Maria e a sua biografia tem como principal relato o cargo ocupado como Diretor Geral da Assembléia Legislativa, tendo sido à época pivô de uma CPI por corrupção em licitações, fraudes e diárias e contratos da Assembléia. Este fato ocupou por muito tempo o noticiário da época, também foi ventilado que o mesmo estava a beira do suicídio sofre de doença conhecida como transtorno bipolar. Na última campanha eleitoral este senhor, juntamente com o Barrionuevo e o João Luiz Vargas elaboraram o Plano de Governo do candidato Alceu Collares. Também, durante a campanha ocorreu um fato que eu e o Marcelo relatamos pessoalmente a Senhora, que foi o caso dos "Pais de Santo" que fizeram aquela manifestação em frente ao comitê da Av. Farrapos, com ampla cobertura pela mídia, RBS e demais veículos de comunicação, tentando lhe identificar como racista. Pois então, quem montou essa manifestação foi o Sr. José Fernandes e o Sr. Barrionuevo. Inclusive quem fretou e pagou o ônibus para trazer as pessoas para a manifestação foram eles. Na época nós identificamos esse pessoal e lhe informamos. No segundo turno da eleição, o Sr. José Fernandes montou um grupo de apoio ao candidato Olívio Dutra, inclusive esse grupo fazia parte da coordenação da campanha, sendo que várias pessoas ligadas a ele trabalharam no comitê do PT, como por exemplo seu cunhado Roberto da Luz, que depois da eleição passou a ser o Secretário da Fazenda do Município de Santa Maria, do Prefeito Valdeci Oliveira.

No decorrer da campanha do segundo turno foi distribuído a todos os veículos de imprensa um dossiê apócrifo com um conjunto de denúncias falsas contra mim, após investigação ficou constatado que era o Sr. José Fernandes o mentor das denúncias. As pessoas que receberam tal dossiê e que me conhecem me chamaram e entregaram as denúncias, todas falsas, mas ali já estavam tramando para me prejudicar.

Esta fúria deste Sr. esta vinculado a fraudes praticadas pelas suas empresas Pensant Consultores, Getplan e IGPL, todas empresas comandas por ele. Estas fraudes foram feitas junto ao Projeto Trabalhando Pela Vida da UFSM e da FATEC — Fundação de Apoio à Tecnologia e Ciência, que realizam os exames de habilitação para o Detran/RS. A minha irmã, junto com outros auditores tem um contrato de prestação de serviços de auditoria com a Fatec para auditar os procedimentos destes contratos, com vencimento vinculado ao contrato do DETRAN. Contrato este realizado no âmbito privado e legalmente constituído, com uma equipe técnica qualificada. Acontece que no decorrer do trabalho os auditores começaram a identificar fraudes praticadas pelas empresas do Sr. José Fernandes, como emissão de notas frias sem a devida contra-partida de serviços prestados, despesas totalmente alheias ao objeto do projeto, ... Então começaram os problemas, esse Senhor começou a me procurar para pedir que os auditores deixassem de relatar estes fatos nos relatórios só que eu sempre informei a ele que a auditoria é autônoma e sofre fiscalização do Conselho Regional de Contabilidade e que não seria possível pedir aos técnicos que fizesse olhos grossos como ele pretendia. Ao não ser atendido, esse Senhor passou a me acusar inventando fatos e espalhando inverdades, tentando inverter as coisas.

Vou fazer um breve relato sobre minha participação e relacionamento com o Projeto do DETRAN que envolve o processo de habilitação de condutores. Em 2003 venceu o contrato mantido entre o governo do Estado e a empresa Carlos Chagas (sediada em São Paulo) que à época realizava o processo de habilitação de condutores do Rio Grande do Sul, prestes a ser renovado. Apenas para informar, não achava certo manter uma empresa de fora do Estado fazendo este trabalho, então como tinha bom relacionamento com o reitor da Universidade Federal de Santa Maria Prof. Sarkis, falei com o mesmo sobre as condições da universidade em tocar o referido projeto, o que foi aceito. Então na época montei toda a estrutura do projeto, desde a logística até a implantação efetiva do mesmo, juntamente com técnicos especializados no assunto. Fui contratado pela FATEC para prestar assessoria como Coordenador de Relações Institucionais, situação que ficou insustentável por não concordar com posições tomadas pelo Sr. José Fernandes que sempre teve muita influência (...) FATEC para a FUNDAE constava no site FUNDAE o mesmo como Coordenador Técnico, quando questionei essa informação junto com o pessoal do DETRAN no mesmo dia alteraram o site trocando pelo nome do antigo Reitor Prof. Sarkis. Consta no site inclusive que a sede da Fundação em Porto Alegre é no mesmo endereço da empresa Pensant Consultores de propriedade do Sr. José Fernandes e seus filhos. A seleção dos examinadores de trânsito, para a nova fundação, em Porto Alegre esta sendo feito na sede da empresa deles, como sede da FUNDAE. Fizeram todo esse processo com um risco muito grande, poderão expor o governo à questionamento ético pela forma como tudo foi feito, sem dar publicidade do ato administrativo, exigência da lei, neste modelo de contratação.

Veja que foi um golpe de mestre digno da máfia. O que me deixa profundamente abalado é que para fazerem tudo isso estão usando a força de coação do Governo que ajudei a eleger, usando o seu nome Governadora. O mais curioso é que essas pessoas que estão praticando esta arbitrariedade fizeram todo o esforço para evitar que o seu projeto fosse vencedor nas eleições, é muita ironia do destino o governo que defendi ser usado contra mim. Sempre tive a convicção que a Senhora nunca aceitaria injustiças, o Marcelo sempre me falou isso e eu realmente acredito, conheço a sua força e determinação em tudo o que faz.

Esse grupo conta hoje com a ajuda e assessoria do Sr. Antonio Dorneu Maciel, Diretor da CEEE, o Cons. João Luiz Vargas do TCE, o Flávio Vaz Netto — presidente do Detran, Fernando Coronel — Diretor do Detran, Chico Fraga, José Barrionuevo e o Sr. José Fernandes, que chefia o grupo. As metas dessa turma são ambiciosas, já estão com vários negócios em andamento, no próprio DETRAN, CEEE, DAER e CORSAN. Estão formando um verdadeira máfia para extorquir o Estado com o superfaturamento de obras e serviços.

Nesse negócio da substituição da FATEC pela FUNDAE, vão arrecadar aproximadamente R$ 1.500.000,00 (um milhão e quinhentos mil reais) por mês, um verdadeiro escândalo. O Estado deveria trabalhar para reduzir os custos e não trocar para ficar igual ou aumentar os custos. A redução anunciada é irrisória, esse contrato teria que ter obrigatoriamente uma redução de pelo menos 20% do valor total.

O Sr. José Fernandes, através da FUNDAE, participou da elaboração do Documento Base e de conteúdo técnico, do qual foi extraída a Agenda Mínima do Pacto pelo Rio Grande, como coordenador da assessoria técnica e praticamente toda a equipe técnica são funcionários do mesmo. Ocorreu um episódio sobre esse trabalho que o atual chefe da Casa Civil Fernando Záchia pode confirmar com relação a tentativa na época, de extorsão que ele sofreu por parte do Sr. José Fernandes, na tentativa do mesmo receber R$ 200.000,00 (duzentos mil reais), sendo que o mesmo havia dito que faria o trabalho sem custo algum, conclui-se que esse Sr. é um verdadeiro pilantra.

Quando fiquei sabendo desta intenção de troca da FATEC pela FUNDAE imediatamente comuniquei a direção do DETRAN que a escola técnica da UFRGS, através da escola de trânsito tinha interesse no assunto e deveriam ser consultados via FAURGS que inclusive poderia haver uma redução significativa de custo para o estado em mais de 20%. Imediatamente foi rechaçada essa idéia pelo atual presidente do DETRAN, que alegou que a UFRGS era muito próxima da Governadora e do Prof. Crusius e que então eles perderiam o controle da situação, a proposta nem chegou a ser avaliada. É claro que não há interesse em lhe mostrar os verdadeiros custos deste Projeto, estão ludibriando. Só como exemplo o Prof. José Fernandes recebe deste projeto em torno de R$ 600.000,00 por mês, sem prestar serviço algum, para quem tentou derrubar o seu projeto de governo é uma bela recompensa.”
Fonte : Zero Hora

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