11 janeiro 2009

A polêmica sobre a nota do PT e o conflito na Palestina

“A semana que se encerra foi marcada por intensa polêmica desencadeada a partir de uma nota, pela qual o partido que integro posicionou-se sobre o conflito árabe-israelense na Faixa de Gaza. Entidades judaicas acusaram o PT de negar o direito de auto-defesa de Israel e até de defender o terrorismo.

Falo sobre o conflito com vocês, e centro nessa polêmica, porque sobre a questão em si não há novidade. Acompanho pela mídia que a ONU aprovou mais um cessar fogo. E que Israel e o Hamas, como tantas vezes o fizeram antes, solenemente o ignoraram e continua a carnificina que completa duas semanas desde o início do ataque israelense a Gaza, com um trágico saldo de 13 israelenses e 784 palestinos mortos - um terço, 257, crianças.

Nem o prosseguimento das hostilidades, a despeito da determinação pró-trégua aprovada pela ONU é novidade hoje. Afinal, perdeu-se a conta do número de resoluções da ONU desrespeitadas desde o surgimento da entidade (1945) e do Estado de Israel (1948), a começar pela tomada na Assembléia Geral da organização, presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, que deu origem em 1948 ao Estado de Israel.

Desrespeito desde a primeira resolução

Ela estabelecia que a partilha da Palestina se faria com a criação de dois Estados, que se reconheceriam e respeitariam mutuamente, um judeu e um palestino. Mas, este jamais teve possibilidade de se concretizar e parte dos palestinos, também não aceita, até hoje, a legitimidade do Estado de Israel.

Sobre as acusações contra as posições assumidas pelo PT na nota, nada mais distorcido. O que o partido fez foi externar a posição, consenso entre todos os povos, nações e países do mundo (além de inserida em dispositivos incorporados à vasta legislação internacional) de que nenhum país, a pretexto de auto-defesa, pode praticar terrorismo de Estado. O PT condena o terrorismo, venha ele de onde vier.

O partido não ataca Israel. Apenas dá prosseguimento à sua posição histórica, firmada ao longo de suas quase três décadas de vida, de defesa intransigente da paz. Com a nota, nós do PT somamos nossa voz à condenação dos ataques perpetrados pelas forças armadas de Israel contra o território palestino. Ecoamos o protesto de milhões dentro de Israel e em todo o mundo, que também criticam o ataque contra Gaza e o assassinato indiscriminado de civis.

Além disso, lembro que o PT sempre defendeu a existência do Estado de Israel e seu direito à segurança e auto defesa, posição histórica de nossa diplomacia e política externa, e sempre foi contra transferir para o país e nossas comunidades árabe e israelense o conflito árabe-palestino-israelense. Tanto é verdade que no partido convivem judeus, árabes e palestinos brasileiros.

Pessoalmente uno minha voz a esse consenso internacional expresso na nota do PT, de que atentados não podem ser respondidos através de ações contra civis, prática nefanda do exército nazista. E, como o meu partido, condeno os ataques do exército de Israel contra o território palestino e cobro que as duas partes cumpram o que foi decidido pela ONU.”
Ex Ministro José Dirceu de Oliveira / Blog do Zé dirceu

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