25 julho 2009

A Teologia do Sacrifício

Eduardo Guimarães, Cidadania.com

“Deuses pagãos necessitam de rituais de sacrifício para seu sustento e para a manutenção de seu poder, que diminuiria sem tais rituais.

O objeto do sacrifício é utilizado para realizar uma troca com esses deuses profanos, que distribuiriam favores em retribuição à saciedade de sua sede de sangue.

A vítima a ser sacrifícada é oferecida de forma a aplacar a ira de deuses vingativos, redimindo, de forma simbólica, os pecados dos homens.

Em verdade, trata-se de uma forma de se poder continuar pecando sob a crença de que depois poder-se-á imolar um dentre o próprio grupo e purgar aqueles pecados.

A teologia do sacrifício também tem origem na covardia, no medo de trilhar o caminho virtuoso, buscando atalho para expiar a culpa de muitos através do objeto expiatório.

Nenhum homem deixará de ter pecado ao sacrificar um semelhante que pecou da mesma forma. Pelo contrário, agravará os próprios pecados.

Os que crêem que oferendas a deuses furiosos podem trazer segurança, ignoram que segurança nenhuma advém das fugas, pois ninguém pode fugir eternamente.

Nas cerimônias hebraicas do Yom Kippur, um bode era apartado do rebanho e deixado só na natureza selvagem como oferenda aos deuses. Era o bode expiatório.

Algumas invenções do homem nunca deixarão de ser usadas, por sua interminável serventia.”

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