14 setembro 2009

Rechaçamos qualquer respaldo do FMI ao golpe de Estado em Honduras

Jubileo Sur Américas

“Os povos da América Latina e do Caribe, África e Ásia têm bastante experiência em relação aos apoios proferidos pelo Fundo Monetário Internacional (FMI), pelo Banco Mundial (BM) e por outras instituições financeiras internacionais a regimes golpistas e a políticas violatórias dos direitos dos povos e da natureza. Foi justamente o FMI, um dos primeiros atores internacionais em reconhecer e oferecer apoio ao regime de fato encabeçado pelo empresário Pedro Carmona, logo que este tentou por fim ao governo de Hugo Chávez, em 2002, na Venezuela.

Nós, do Jubileu Sul, rechaçamos qualquer ação por parte do FMI ou de outra entidade internacional que signifique um reconhecimento ou respaldo ao governo usurpador em Honduras, encabeçado pelo Sr. Roberto Micheletti.

Rechaçamos, particularmente, a entrega ao Banco Central de Honduras de sua quota-parte da emissão de Direitos Especiais de Giro (DEGs), realizada no passado 28 de agosto, bem como a emissão especial realizada hoje (9 setembro). Apesar de que se supõe que a emissão desses Direitos Especiais de Giro será automática segundo o tamanho da economia e de sua quota com o FMI e sem condições adicionais além de ser membro do Departamento de DEGs do FMI, é totalmente inaceitável que tais recursos sejam postos à disposição de um governo ilegítimo, apesar de que no momento o próprio Fundo os tenha bloqueado à espera de uma nova decisão. A eventual disponibilidade desses recursos, juntamente com qualquer outra forma de endividamento contraído com o regime de fato, constituiu-se em dívidas ilegítimas que nem o povo hondurenho e nem nenhum outro governo legítimo teria porque pagar.

Chamamos os governos de todos os países membros do FMI a tomar as medidas necessárias para assegurar que esta instituição financeira, uma das máximas responsáveis pela imposição das políticas neoliberais de ajuste, privatização e mercantilização da vida e da natureza, que têm provocado tanta miséria e crise em todo o mundo, não seja utilizada agora nem nunca mais para contrariar a vontade e os direitos dos povos, como o de Honduras, que hoje continua firme em sua resistência ao golpe de Estado perpetrado há mais de 70 dias.”
9 de setembro de 2009.
Tradução: Adital
http://www.jubileosuramericas.org

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