08 novembro 2009

Nota da Uniban comentada pelo blogueiro Eduardo Guimarães

Eduardo Guimarães, Cidadania.com

RESPONSABILIDADE EDUCACIONAL

A educação se faz com atitude e não com complacência

A Uniban começa confundindo tolerância com complacência. Tolerância com o diverso, com o particular, com o direito de uma pessoa ser o que é contanto que não agrida ninguém, e quem sentiu-se agredido pelo vestido cor-de-rosa de Geisy não pode sair às ruas, pois moças de vinte anos vestem-se assim.

A Universidade Bandeirantes – UNIBAN BRASIL - dirige-se ao público e, especialmente, à sua comunidade para divulgar o resultado da sindicância no campus de São Bernardo do Campo sobre o episódio ocorrido no dia 22 de outubro, fartamente exibido na internet e divulgado por veículos de comunicação.

A sindicância consoante com o Regimento Interno nos termos do artigo 216, parágrafo 5, e do artigo 207 da Constituição Federal, colheu depoimentos de alunos e alunas, professores, funcionários e da estudante envolvida, além de analisar vídeos e imagens divulgadas.

A Uniban terá que apresentar esses documentos num processo por danos morais e concorrência para o crime violento que deverá ser aberto contra si, pois endossou atitudes que, mais adiante, serão descritas.

Os fatos:

Foi apurado que a aluna tem freqüentado as dependências da unidade em trajes inadequados, indicando uma postura incompatível com o ambiente da universidade, e, apesar de alertada, não modificou seu comportamento.

Não se pode proibir uma moça de usar um vestido como aquele que deflagrou tudo isso. Só se ela fosse à universidade de lingerie ou nua, para agirem desse jeito. É um vestido absolutamente normal, um palmo e tanto acima do joelho. Todos viram a peça de roupa na tevê e nos jornais.

A sindicância apurou que, no dia da ocorrência dos fatos, a aluna fez um percurso maior do que o habitual aumentando sua exposição e ensejando, de forma explícita, os apelos de alunos que se manifestavam em relação à sua postura, chegando, inclusive, a posar para fotos.

Onde é que nós estamos, afinal? No Oriente Médio? Num país em que a nudez e a semi-nudez fazem parte do cotidiano? Será Geisy a única brasileira a usar um vestido um pouco mais curto dentro de uma universidade? O que é que está acontecendo? Como podem tratar assim uma cidadã, uma moça que pagava para freqüentar aquela instituição?

Novamente, a aluna optou por um percurso maior ao se dirigir ao toalete, o que alimentou a curiosidade e o interesse de mais alunos e alunas, tendo início, então, uma aglomeração em frente ao local.

Depoimentos de colegas indicam que, no interior do toalete feminino, a aluna se negou a complementar sua vestimenta para desfazer o clima que se havia criado.

Foi constatado que a atitude provocativa da aluna, no dia 22 de outubro, buscou chamar a atenção para si por conta de gestos e modos de se expressar, o que resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar.

Vamos definir, pois, o que a Uniban chama de “reação coletiva de defesa do ambiente escolar”. Aquelas bestas-feras chamavam a menina de “puta”, “vagabunda”, pediam que a jogassem para eles para estuprarem-na, chutavam as portas da sala de aula na qual ela se refugiou... É disso que a Uniban fala?

Em seu depoimento perante a comissão, a aluna demonstrou um comportamento instável, que oscilava entre a euforia e o desinteresse, e estava acompanhada de dois advogados e uma estagiária vinculados a uma rede de televisão.

Parece-me que setecentos – SE-TE-CEN-TOS – marmanjos e marmanjas gritando palavrões e sugerindo agressão à jovem Geisy de forma que a polícia teve que ser chamada para garantir sua segurança não é alguma coisa que acontece todos os dias numa universidade de qualquer parte do mundo, o que justifica plenamente os advogados e os repórteres de televisão.

Decisão do Conselho Superior da Universidade:

Diante de todos os fatos apurados pela comissão de sindicância, o Conselho Superior, amparado pelo relatório apresentado e nos termos do Regimento Interno, decidiu, com base no Capítulo IV – Regime Disciplinar, artigos 215 e seguintes:

1 – Desligar a aluna Geisy Villa Nova Arruda do quadro discente da Instituição, em razão do flagrante desrespeito aos princípios éticos, à dignidade acadêmica e à moralidade;

É a ética do estupro, a da Uniban. Do Estupro físico e moral.

2 – Suspender das atividades acadêmicas, temporariamente, os alunos envolvidos e devidamente identificados no incidente ocorrido no dia 22 de outubro.

Vou considerar isso uma premiação que os envolvidos provavelmente irão adorar, podendo viajar à praia por alguns dias. A premiação da selvageria e da ignorância.

A UNIBAN reafirma seu compromisso com a responsabilidade social e a promoção dos valores que regem uma instituição de ensino superior, expressando sua posição de apoio aos seus 60 mil alunos injustamente aviltados.

A moça é insultada e escorraçada por seu vestido deixar suas pernas um pouco mais à mostra de uma forma como no meu tempo de adolescente, nos anos 1970, consideraria completamente “careta”, e os “aviltados” foram os que a agrediram por terem visto alguns centímetros a mais de suas pernas.

Nesse sentido, cabe aqui registrar o estranhamento da UNIBAN diante do comportamente da mídia que, uma vez mais, perde a oportunidade de contribuir para um debate sério e equilibrado sobre temas fundamentais como ética, juventude e universidade.

De novo, a Uniban revela todo seu autismo. Não consegue enxergar o ineditismo e a falta de justificativas lógicas do que se passou em seu campus. A cobertura midiática só serve para evidenciar como o senso comum se choca com tal demonstração de atraso e de hipocrisia de jovens que não têm condições de dar lições de moral a ninguém.

Para tanto, convida seus alunos e alunas, professores, funcionários, a comunidade e a mídia para um ciclo de seminários sobre cidadania em data a ser oportunamente informada.

E que nenhuma convidada compareça com saia acima dos joelhos, que a brigada da moral da Uniban estará a postos.

Universidade Bandeirante – UNIBAN BRASIL"

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