10 maio 2010

Arrotos e soluços de dona Gaia

Época, Fábio Gandour

“Talvez “arrotos e soluços” não seja a melhor maneira de se começar a conversa sobre uma pessoa. E nem a mais educada, principalmente quando se trata de uma senhora. Melhor seria se a referência aos arrotos e soluços tivesse um caráter mais... digamos, técnico e científico. Neste caso, o título deste artigo seria algo do tipo “Eructações e singultos de dona Gaia”. É, melhora um pouco apesar de se tornar mais difícil de entender. Mas, quem de fato quer entender o que se passa com a dona Gaia? Quem pelo menos sabe quem é a senhora Gaia? E é bem aí que a gente começa a história de hoje. Gaia é uma personagem da mitologia grega (http://en.wikipedia.org/wiki/Gaia_%28mythology%29), uma deusa primordial que é representada pela própria Terra. Algo que nos dias atuais, seria equivalente à “Mãe Natureza”. E foi daí, desta deusa primitiva da mitologia graga, que o escritor inglês William Golding
(http://en.wikipedia.org/wiki/William_Golding) tirou a inspiração para chamar de Hipótese Gaia a uma tão controvertida, quanto fascinante, formulação teórica criada por um cientista que era seu amigo e vizinho nos arredores de Londres, o James Lovelock (http://en.wikipedia.org/wiki/James_Lovelock).

Em 1960, Lovelock trabalhava para a NASA em um projeto destinado a verificar a presença de vida em outros planetas. Nesta época, a Hipótese Gaia foi formulada científicamente. Após 10 anos, em 1970, surgiram as primeiras publicações sobre o assunto, que finalmente se tranformaram em livro em 1979, com o título “Gaia: um novo olhar sobre a vida na Terra”. Desde então, muito se tem discutido sobre Gaia, a começar da forma com que simpatizantes e críticos interpretam as idéias e conclusões de James Lovelock. Os que discordam dizem que tudo não passa de uma mera formulação, apenas uma hipótese. Os que concordam falam de uma Teoria Gaia completa, com princípios bem estabelecidos e que vêm sendo comprovados pela própria sucessão de fatos que temos presenciado em lugares mais distantes ou mais próximos.

Em uma síntese das mais simples, a formulação/hipótese/teoria Gaia é assim: a biosfera (seres vivos) e os componentes físicos da Terra – atmosfera (ar), criosfera (gelo), hidrosfera (água) e litosfera (solo) – formam um complexo sistema integrado que mantém o clima do planeta e as condições bio-geo-químicas em perfeito equilíbrio – e nesta hora, é bom dizer que aí, “equilíbrio” significa que dá pra viver.

Desde que Lovelock propôs este modelo, onde as condições favoráveis para a vida no planeta dependem de um complexo equilíbrio entre os componentes do próprio planeta – o que inclui os seres vivos –, uma série de experimentos científicos vem sendo realizados para tentar validar ou não a Teoria Gaia. No início do seu trabalho, o próprio Lovelock mostrou que alguns compostos químicos abundantes na Terra, ainda que originados de fontes muito diferentes, por exemplo, o Oxigênio e o Metano, mantêm quantidades equilibradas entre si ao longo do tempo. Daí, evoluiu-se para uma constatação até mais simples, mostrando que o Metano estava sempre associado à biomassa (massa de seres vivos – incluindo nós !)] existente em um certo ecosistema e que se a decomposição desta biomassa aumentava em volume ou se acelerava no tempo, o desequilíbrio teria que ser corrigido de alguma forma.”
Artigo Completo, ::Aqui::

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