07 Janeiro 2010

CUT e Contracs se pronunciam sobre caso de preconceito contra trabalhadores

Boris e os Garis

É perfeitamente compreensível o ódio de uma parte da elite em relação aos trabalhadores por ela considerados subalternos, particularmente quando estes conquistam cidadania e direitos universais como o voto e a educação. A conquista da cidadania pelos mais pobres perturba essa elite que se diz formadora da opinião das camadas populares.

Para os autodenominados formadores de opinião, o razoável é que o trabalhador ou trabalhadora, particularmente aqueles que realizam tarefas manuais, se coloquem em “seu devido lugar”, portanto, garis varrendo ruas e não dirigindo mensagens de confraternização na celebração do novo ano. Afinal, não é qualquer um que pode pronunciar mensagens ao público em geral, essa é a função dos mais preparados, ou seja, da elite pensante.

O operador de som, sem saber, prestou um grande serviço público ao mostrar a verdadeira face do conservadorismo do país, com seu autoritarismo, preconceito e ódio em relação aos trabalhadores pobres que varrem ruas, servem café ou limpam seu ambiente de trabalho e sua casa.

Para eles, um pobre, um semi-escolarizado, será sempre um subalterno dos degraus mais baixos da sociedade, mesmo que se torne Presidente da República, tal como pode ser percebido nas recorrentes demonstrações de desrespeito ao presidente que fala como o povo e se encontra com catadores de papel para celebrar o Natal, um absurdo, uma verdadeira “vergonha nacional”.

Para a Central Única dos Trabalhadores, tanto os garis quanto as copeiras das redações dos jornais, repartições públicas e de multinacionais não podem permanecer na invisibilidade, pelo menos aos olhos do conjunto da sociedade civil. A plena cidadania desses trabalhadores implica o reconhecimento da importância do seu trabalho e, sobretudo, do seu conhecimento prático e social no interior da sua comunidade, como membro da sociedade, como pai ou mãe que educa seus filhos, que constrói a cidade e a cultura.

A Confederação Nacional dos Trabalhadores no Comércio e Serviços (CONTRACS/CUT) como representante da categoria considera ultrajante o ato e repudia as declarações do jornalista Boris Casoy. E destaca que a categoria é de grande importância social para toda a sociedade, incluindo o próprio jornalista.

A herança da Casa Grande, presente no preconceito nosso de todos os dias precisa ser extirpada das redações de jornais, dos órgãos e repartições públicas e, sobretudo, das relações de trabalho. Portanto, não há por que fazer concessões a esse “ato falho” do jornalista Boris Casoy. Afinal, se queremos a superação das desigualdades sociais no Brasil é preciso parar de empurrar o lixo para debaixo do tapete.
O episódio com os garis é uma boa oportunidade para que os “socialmente invisíveis” se tornem visíveis aos olhos do conjunto da sociedade. Assim, toda manifestação de indignação e repúdio ao ódio e preconceito dessa parcela da elite é uma prática civilizatória.

Central Única dos Trabalhadores e Contracs

05 Janeiro 2010

Nota de repúdio do Sindicato dos trabalhadores em Empresas de Prestação de Serviços do Estado de São Paulo

“Considerado um dos mais polêmicos jornalistas da televisão brasileira, o âncora da TV Bandeirantes, Boris Casoy protagonizou dia 31 de dezembro de 2009 uma cena que merece a frase que lhe deu fama: “Isto é uma vergonha”.

Sem perceber que seu microfone estava aberto, ao ver a cena de dois varredores de rua de São Paulo desejarem feliz ano novo à população, Boris Casoy comentou “que merda: dois lixeiros desejando felicidades do alto das suas vassouras. O mais baixo na escala do trabalho”.

Não apenas nós, do SIEMACO que representa os trabalhadores da limpeza urbana, mas a maioria dos telespectadores do telejornal da Bandeirantes reagiu imediatamente de forma negativa. Mais uma vez vimos o preconceito contra nossos trabalhadores falar mais alto e agora, vindo de um jornalista que dedica sua vida a denunciar os abusos e as arbitrariedades, a proporção desta atitude preconceituosa nos parece ainda maior.

Além disso, Boris Casoy deixou clara sua arrogância, talvez por acreditar que o seu trabalho seja mais importante que qualquer outro. Quem sabe, apesar de sua indiscutível cultura, Casoy não tenha tido a oportunidade de ler o escritor Mário Puzo afirmar que “a arrogância não é atributo dos sábios, mas dos ignorantes”.

Lamentavelmente Casoy demonstrou não dar o menor valor ao importante serviço prestado por nossos trabalhadores, humilhando-os publicamente. Ele esqueceu-se que limpeza significa saúde pública e, se nossos “lixeiros no alto de suas vassouras” não cuidassem da nossa cidade, certamente viveríamos no caos. Com certeza, podemos viver sem notícias, mas não sem limpeza.

Nesta segunda, 04 de janeiro de 2010, o SIEMACO, por seu diretor Elmo Nicácio, gari da Empresa Loga Logistica Ambiental entregou, com dificuldade, na TV Bandeirantes uma carta de repúdio ao jornalista Boris Casoy por seu comentário feito no Jornal.

No comentário o jornalista é preconceituoso com a classe trabalhadora lotada na prestação de serviços de Limpeza Urbana, ou seja, Garis, Varredores e Margaridas. Tal comentário não ofende somente esses trabalhadores, mas também toda classe trabalhadora que luta diariamente em seus empregos em busca de uma vida mais digna. Nosso trabalho é honroso pois garante a limpeza e o bem estar de todo Brasil .

Mais respeito com o trabalhador!

Isto é mesmo uma vergonha e exigimos uma retratação adequada.”

Veja carta protocolada na Band (PDF)

SIEMACO-SP

02 Janeiro 2010

Mensalão do DEM: nota do presidente nacional da OAB

"O gesto do deputado Leonardo Prudente, de reassumir a presidência da Câmara Distrital do DF, como se simplesmente inexistisse o escândalo de que é um dos principais protagonistas, é de um descaro indescritível, que ofende a consciência cívica da sociedade brasileira.
O pior pecador é o que celebra em triunfo os seus próprios pecados.

Não poderia haver desfecho mais lamentável para o 2009 do contribuinte brasiliense, lesado em ações fraudulentas por políticos como Prudente, eleitos para defendê-lo e representá-lo.

A OAB lastima esse gesto e informa que continuará lutando em todas as frentes para que os agentes públicos envolvidos no Mensalão de Brasília respondam por seus crimes e sejam exemplarmente banidos da vida pública brasileira.

Mais que protocolares votos de feliz ano novo, a OAB se compromete em tornar 2010 um ano de lutas contra a praga da impunidade, que ameaça a democracia e fragiliza as instituições do Estado perante a sociedade brasileira. Urge a adoção do recall como medida preliminar à inadiável faxina cívica na política brasileira".

Cezar Britto, presidente nacional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil)