08 junho 2011

Íntegra do discurso da Ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann

“Sr. Presidente, Srs. Senadores, Srªs Senadoras, Srªs Deputadas que aqui estão, Srs. Deputados, aos 93 anos, o poeta Manoel de Barros foi chamado a escolher a palavra mais bonita da Língua Portuguesa. Escolheu a palavra “criança”. Considero essa resposta emocionante, pelo que ela tem de simbólico e de poético.
Criança nos faz pensar em início, em começo e no desafio de viver e de aprender mais um pouco a cada dia, como ocorreu comigo, aqui, no Senado da República.

Cheguei a esta Casa em fevereiro, há menos de seis meses, e, hoje, aquele meu primeiro dia neste plenário me parece uma data remota. A impressão que tenho é a de que estou aqui há muito mais tempo, em razão de tudo o que aprendi, do volume de conhecimento que adquiri nesse período de convívio com os Senadores e com as Senadoras.

Sou de uma geração que cresceu com liberdade de pensar, de participar e de discordar. E, aqui, no Senado, senti-me à vontade para debater todos os assuntos em pauta, para defender os interesses do meu País e do meu Estado, o Paraná.

Sou grata, de forma muito especial, ao Presidente José Sarney, que, desde o início, acolheu-me com muita simpatia e respeito; ao Líder da Bancada do PT, Senador Humberto Costa, companheiro e amigo de longa caminhada – e, em seu nome, quero cumprimentar todos os Senadores e Senadoras do meu Partido, com quem tive intenso convívio –; ao Líder do Governo, Senador Romero Jucá, por quem tenho muito respeito e consideração, assim como ao PMDB; aos membros da Mesa, aos Senadores da nossa base de Governo, enfim, a todos os Senadores e Senadoras com quem tive convivência, especialmente, ao Presidente Delcídio, da CAE, e ao Presidente Collor, da Comissão de Relações Exteriores; também aos funcionários e funcionárias desta Casa.

Viver exposta a pontos de vista contraditórios é condição da vida parlamentar e da vida democrática.

Por isso, aqui, quero aqui manifestar também minha deferência aos integrantes da oposição. Todos foram adversários duros no debate, mas prevaleceu sempre a convivência democrática. Perguntaram-me ontem, em conversa com a imprensa, o que teria a dizer sobre a menção, por alguns oposicionistas, de que sou um trator. Não considero esta a melhor metáfora para quem exerce a política e sempre se dispôs a debater, ouvir e construir consensos. A manifestação democrática é o maior instrumento que temos para avançarmos no desenvolvimento do nosso País. E acredito que o desfecho da manifestação democrática é a decisão da maioria. Gostaria muito, portanto, de manter a convivência respeitosa que iniciamos nesta Casa.

Não teve um dia em que não recebi um incentivo, um novo ensinamento, uma palavra de apoio e de amizade. Levarei esses gestos na memória. Quero agradecer os pronunciamentos de estímulo e consideração que recebi ontem e hoje desta tribuna.
A Presidenta Dilma me confiou uma nova missão, e vou cumpri-la levando em conta muito do que aprendi no Senado. Assim como a Presidenta, minha caminhada tem uma razão de ser: é a favor do Brasil e do seu futuro. A responsabilidade é grande.

Quando disputei o Senado da República, assumi compromisso de defender meu Estado, o Paraná, na federação, e ajudar a Presidenta Dilma, primeira mulher eleita para o cargo a governar o País. Por isso, sempre fui muito incisiva, aqui, na defesa do seu Governo. Não pelo simples fato de pertencer à sua base ou ser do Partido da Presidenta, mas, sobretudo, porque acredito no projeto que ela representa e coordena no País: um desenvolvimento econômico inclusivo, em que as pessoas são o objetivo maior da nossa atuação.
Quis Deus, através da Presidenta, que eu ficasse ainda mais próxima para esse auxílio. E tenho muita clareza do tamanho dessa missão. A quem muito é dado, muito será cobrado.

Não posso terminar este pronunciamento sem dirigir-me ao meu Estado, ao meu Paraná, aos eleitores e eleitoras que me trouxeram até aqui. Dizer que meu afastamento do Senado não me afasta dos compromissos que assumi. Estou mudando de instância, mas não de caminho. Peço a este Senado da República, ao Congresso Nacional, apoio e companheirismo para desenvolver essa nova tarefa. Peço a Deus sabedoria para exercê-la.

Encerro, aqui, com a poesia da paranaense Helena Kolody: “Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros nem conseguem vê-la”. Meu esforço é para estar no primeiro grupo. Muito obrigada aos meus colegas e às minhas colegas Senadoras.”

Nenhum comentário: