10 julho 2012

Editorial: Redes Sociais, novas fontes para o jornalismo



“Muitas vezes, a falta de contextualização ou a falta de referências a datas e lugares, pode significar a diferença entre a boa notícia, apurada e correta, e um simples boato, que cresce como um bolo cheio de fermento, mas murcha no dia seguinte.

Esta edição do observatório MídiaePolítica  é dedicada à contribuição das redes sociais como fontes informativas do Jornalismo Contemporâneo. Além das novas tecnologias para ampliar o trabalho de apuração da notícia, o jornalista dispõe também de uma estrutura mais descentralizada, em que as fontes podem ser institucionalizadas ou não. As notícias podem vir pelos caminhos mais diferentes. Um outro aspecto importante é o das conexões nos sites das rede sociais que toma proporções mundiais, e gera um grande leque de informações, que podem ser combinadas para a elaboração de um material informativo mais rico e denso.

Uma característica a observar é o tipo de linguagem utilizada pelos usuários de redes. Ela tem caráter informativo ou comunicativo? Esta diferenciação é importante para que o jornalista consiga navegar com cuidado na Internet, de forma a colher informações e não comentários, opiniões, ou boatos. A linguagem utilizada nas redes reflete identidades sociais ou de grupos. E, por isso, reflete também a cultura destes grupos, as gírias, os posicionamentos sociais e as visões de mundo. Mergulhar neste universo cultural com todas as suas diferenças pode ser uma armadilha para um jornalista ainda novato, que corre o risco de se perder no emaranhado de informações que serão colocadas à sua disposição.

Vale lembrar que redes sociais como twitter ou facebook são fontes de notícias aleatórias, já que as trocas linguísticas que aí ocorrem não têm o intuito apenas de informar. Muitas vezes, as pessoas buscam se divertir. Foi assim que surgiram os memes, que demarcam territórios e ressignificam a comunicação. São um momento de humor, um olhar divertido sobre a realidade, um espaço para que se brinque com desenhos e palavras.

Se muitos jornalistas hoje, como prova uma pesquisa, buscam informação nas redes sociais, uma atitude prudente tem sido adotada. É a de checar qualquer notícia em circulação na Internet com as fontes legitimadas, ou institucionalizadas. Muitas vezes, a falta de contextualização ou a falta de referências a datas e lugares, pode significar a diferença entre a boa notícia, apurada e correta, e um simples boato, que cresce como um bolo cheio de fermento, mas murcha no dia seguinte. As redes estão aí para serem usadas, com bom senso e sentido claro do que é notícia.”

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